Relato de Experiência
Medicina da Família e Comunidade está estampada no Programa e no coração do Rio Grande do Sul. Este núcleo foi um dos primeiros a receber a incumbência de usar a telessaúde para a qualificação do trabalho na atenção primária, que no caso do Brasil, recebe o nome de Estratégia e Saúde da Família (ESF).
O início foi um desafio e uma novidade a ser conquistada: “Lá no começo de 2006, pensamos assim, bem, a gente conhece razoavelmente que tipo de necessidade existe para as pessoas que trabalham com ESF em seu dia a dia, e a gente tem esta ferramenta para tentar aproveitar o conhecimento mais atualizado do mundo. Então vimos que a tecnologia era um meio de potencializar o que já tínhamos. O que realmente precisava ser perfeito era o oferecimento das soluções apropriadas para os problemas da população e usar este meio tecnológico para fazer esta ponte”, compartilha Eno Dias de Castro Filho, teleconsultor sênior e ex-coordenador de RS.
Leituras, estudos e análises foram feitos pelos coordenadores Eno Filho e Erno Harzheim até a formação da equipe e a criação de duas figuras que passaram a ser essenciais para o desenvolvimento sustentável do Núcleo RS: o regulador em atenção primária e o motivador.
Regulador e motivador: papéis-chave
Diante de cada demanda, o médico com papel de regulador decide se a dúvida, enviada por teleconsultoria, é referente a problemas complexos ou simples, graves ou leves. “No caso de perguntas complexas ou simples, elas serão acolhidas e abordadas por um consultor especializado em atenção primária, seja um outro médico de família e comunidade, seja por uma enfermeira ou odontólogo de APS. Já no segundo caso, deverão ser encaminhadas a um consultor da especialidade focal mais afeita ao problema. Decide, ainda, se a dúvida se refere a uma situação genérica, que já pode ser globalmente respondida através de recomendações encontradas na literatura, ou se é uma situação específica, complexa e contextualizada que requer uma discussão em tempo real”, detalha Eno Dias de Castro Filho. Ainda de acordo com o médico, de 2007 até o final de 2011, o Núcleo RS respondeu cerca de 8.500 teleconsultorias.
As raízes da segunda opinião formativa
Outra grande contribuição foi a base para a criação da segunda opinião formativa adotada por todo o Programa. “Montamos um protocolo de passo a passo para recrutarmos e capacitarmos consultores estabelecendo um caminho a seguir para as demandas e solicitações de teleconsultorias que eles recebessem”, lembra.
“Uma coisa era varrer a literatura e chegar a hipóteses que apontassem iniciativas e providências terapêuticas vantajosas em determinados cenários, seu risco absoluto, risco relativo, a comparação de intervenções e poder avaliar criticamente tudo isso. Outra coisa é explicar o conhecimento obtido em uma rápida leitura para pessoas que não têm familiaridade com o linguajar epidemiológico. Resumindo, era necessária uma facilitação para transpor este linguajar técnico para a língua de gente”.
Assista ao vídeo deste relato de experiência e conheça estes e muitos compartilhado com todos pelo Programa Telessaúde Brasil Redes.
Sessão interativa
A sessão interativa com chat e discussão ao vivo com Eno Dias de Castro Filho, ocorreu no dia 14 de junho de 2012 das 16:15hs às 18:00hs.
Veja a gravação da sessão interativa
Assuntos abordados
- Medicina de Família e Comunidade
- Atenção Primária à Saúde
- Teleconsultoria Baseada em Evidências